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segunda-feira, 27 de junho de 2016

Saio ou Fico?

Encontrei o Queiroz na fila do buffet, horário de almoço. Enquanto acomodava duas rodelas de beterraba sobre uma folha de alface ele disparou à queima roupa:

- Pô, saiu do grupo?!

Assim, sem saudação, sem comentários sobre o frescor das saladas ou sobre o frio lá fora.

- Bom dia, Queiroz. Que grupo?

- O grupo do futebol, do whats. Por que saiu?

Olhei para meus sapatos, a perna direita dez centímetros mais curta que a esquerda. Antes do acidente, há mais de vinte anos, eu já era um pereba dentro das quatro linhas. Agora eu não consigo correr dez metros, imagina chutar uma bola. Que diabos faço eu em um grupo de futebol?!

- Saí? Acho que foi sem querer. Vou pedir pro Zé me adicionar de novo.

Saí mesmo. Desse e de outros grupos que já deveria ter saído há tempos. Gosto dos meus amigos e eles estão em quase todos esses grupos de WhatsApp, mas resolvi preservar apenas o grupo do trabalho e o da família. Quando preciso falar com um dos caras eu mando mensagem “in box”.

Grupos de Whats, segundo opinião de muitos usuários, mais atrapalham do que ajudam. Superlotam a memória do celular e fazem barulho durante o dia e até na madrugada (ainda bem que tem a opção “silenciar”). Muitas vezes não conseguimos acompanhar a movimentação do grupo e permanecemos nele apenas por educação.  

Outro dia topei com um amigo, médico. Carregava três iPhones.

- Pra que tantos aparelhos, Dornelles?

- Cara, preciso de um celular só pra receber ligações do hospital e do consultório. Esse outro é para os familiares e amigos. O modelinho mais antigo é para os grupos.

- Grupos?

- Do Whats. Grupo da oncologia, dos clínicos, do hospital e do postinho. Grupo do futebol, do pôquer, da blitz, da família, meu... são muitos.

Dornelles deslizava o dedo na tela do iPhone enquanto falava:

- E tem também grupos de eventos, chá beneficente, aniversário do Juninho, casamento da Bruna, essas coisas. Concentro tudo nesse aqui.

- E você consegue ler todas as mensagens?

- Com tantos grupos assim fica impossível. Dia desses fui numa festa de aniversário que havia sido cancelada no grupo e eu não tinha lido a mensagem.

E tem a pornografia.

Os dados se desencontram, mas estima-se que 12% do conteúdo da Internet sejam pornográficos. Porém, 35% dos downloads são de material relativo à pornografia. Grande parte desse conteúdo circula por grupos de WhatsApp.

Google Imagens

Piangers, autor do inspirado Papai é Pop, disse que “Um grupo de WhatsApp cheio de homens é uma assustadora fábrica de fotos e vídeos pornográficos e piadas de mau gosto”. Um exagero do Pretinho. Verdade que rola alguma sacanagem, videozinhos e fotos para adultos, mas isso não assusta mínguem. Tampouco é exclusividade de grupos masculinos. Segundo as pesquisas sobre o assunto, uma mulher a cada quatro homens usa a internet para pesquisar sobre pornografia. E as brasileiras, ao lado das filipinas, são as campeãs mundiais. Nada demais, há quem diga que até faz bem, ver pornografia.

Pesquisadores ingleses, americanos e franceses acreditam que assistir filmes pornôs deixa a pessoa mais forte, mais tolerante e com uma vida sexual mais ativa. Não sei, tem pesquisa pra tudo e desconfio de todas elas. Mas, na dúvida, vou voltar para o grupo do futebol.